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Economia

Caderno Dirigido:

    Assim são os Guepardos

Assim como os dinossauros, as empresas também podem desaparecer. Prevenir-se contra catástrofes do cotidiano do mundo globalizado tem sido a preocupação de executivos e empresários, que nem sempre sabem manipular as ferramentas disponíveis.

Carlos Foscolo (*) Especial para o JC

Os dinossauros foram extintos em virtude do impacto de um gigantesco meteoro, que, há milhões de anos, chocou-se contra a Terra, provocando uma tão densa nuvem de poeira que, "apagando" o sol, acabou por aniquilá-los. Correto? Bem... creio que nem tanto!!! Teria esta nuvem coberto todo o planeta? E por quanto tempo? E por que nem todos os seres vivos sucumbiram? Não importa! O fato é que foram extintos e, aparentemente, todos devido a uma mesma causa.

Os dinossauros, incluindo todos os demais sauros, voadores ou aquáticos, tinham as mesmas características. Tinham um ponto em comum: uma enorme massa corpórea, consumindo gigantesca quantidade de alimentos para sobreviverem. Eram lentos e ocupavam muito espaço. Em compensação, sua população era relativamente pequena e por isso não havia muita disputa, nem por alimento, nem por espaço. E então? Se não tivessem sido aniquilados por este suposto meteoro que causou esta suposta nuvem de poeira teriam eles sobrevivido até nossos dias?

Você consegue imaginar, no mundo de hoje, a convivência com criaturas, cuja altura seria equivalente à de alguns andares de nossos prédios e cuja necessidade diária de alimento fosse a equivalente à de algumas dezenas de pessoas? Inimaginável! Independentemente de meteoros ou qualquer outro fator externo, não teriam eles sido extintos em virtude de sua própria natureza e pela própria natureza? Não teria sido a auto-extinção pela incapacidade de se adaptar a novas situações?

Mas o que tem tudo isso a ver com algumas de nossas empresas? Perguntaria o leitor.- E com o capital intelectual? Não estou aqui para ler uma monografia sobre a sobrevivência dos dinossauros! Além do mais, não conheço qualquer empresa que se assemelhe a dinossauros e que, por isso, correria o risco de extinção!
Aliás, se eu estivesse nesta situação, simplesmente faria um downsizing!

Sim, downsizing! Se os dinossauros (Por favor... outra vez não!) tivessem tido o poder para se submeterem a um downsizing, teriam sobrevivido? Talvez sim, se não houvesse os meteoros!!! Talvez tivessem se transformado em guepardos, os mais velozes mamíferos do planeta, que para se adaptarem, tornaram-se finos - sem muita massa - compridos, flexíveis e ágeis: Um verdadeiro exemplo de downsizing, concordam? Não?

E o que é o downsizing senão uma otimização de um dos mais importantes elementos do capital intelectual - a estrutura. E, como parte integrante dela, o capital humano!
É neste dilema que muitas vezes se encontra o empresário: Sabe o que precisa ser feito, mas não como fazê-lo.

Quantos não gostariam de ter implantado um Projeto Azimute (como o da Santa Casa de Montes Claros, de onde somos consultores), que tentasse mudar os rumos da empresa, tentando torná-la leve, flexível e ágil, porque também ágeis e flexíveis estão se tornando seus funcionários através de autotreinamentos (self-training) monitorados por resultados, analisados por múltiplos indicadores.

Como então reestruturar através do capital intelectual? Respondo: Investindo no redimensionamento do capital intelectual, o que vale dizer, redimensionar o capital estrutura e o capital humano, que são partes integrantes do capital intelectual. Mas como fazer? Através da implantação de ferramentas e medidas específicas para isso.

Que ferramentas poderiam ser essas? Bem, dentre inúmeras, poderíamos citar as planilhas de manload - que transformam as lotações em dotações de área, dimensionando-as, tecnicamente, em termos de capital humano, de acordo com a estrita necessidade de cada área.

Planilhas de manload ou de dimensionamento, no entanto, devem ser precedidas de outras medidas que estabeleçam os padrões dos processos, que como conseqüência criariam, paralelamente, instrumentos que implementariam a flexibilidade funcional do capital humano, através do autotreinamento e da auto-avaliação e outros instrumentos, que certamente irão impactar os indicadores de avaliação.

Implantados e implementados os instrumentos de reestruturação do capital humano e conseqüentemente do capital estrutura, a última etapa seria aquela que nos daria o sabor que só se tem quando as metas são alcançadas - a avaliação dos resultados.

Esta avaliação da melhoria do capital intelectual nos seria dada através de indicadores específicos como, dentre vários outros, total de horas trabalhadas/receita total (empresas como Microsoft, Nokia, Skandia têm um índice muito mais baixo do que as outras que valorizam menos o capital intelectual). À medida que cresce o capital intelectual, mais esse índice caminhará em direção a zero, embora, é evidente, que nunca chegará lá!

Bem, não temos mais nem tempo, nem espaço para continuar discutindo tão abrangente tema, que poderia se estender por horas e horas, ou páginas e páginas (fomos convidados, há poucas horas, pelo Jornal do Commercio do Amazonas para rascunhar este modesto trabalho, especialmente para sua edição de hoje sobre o seminário de Capital Intelectual e Gestão do Conhecimento e da Informação - instrumentos de competitividade).

Porém, temos a satisfação de nos colocar à disposição dos leitores para trocarmos idéias sobre o tema e os pensamentos acima expostos, convidando-os a visitar nosso site - ainda em construção - cujo endereço é transcrito abaixo.

(*) Carlos Foscolo é diretor da Foscolo & Foscolo Sistemas (com escritórios em Belo Horizonte e Montes Claros - MG (
www.foscolo.com.br / foscolo@foscolo.com.br)

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